Semaglutida e tirzepatida estão entre os medicamentos mais discutidos atualmente quando o assunto é tratamento farmacológico da obesidade.
Na menopausa, a comparação ganhou ainda mais interesse.
Muitas mulheres querem saber:
Mounjaro emagrece mais que Wegovy?
A menopausa diminui a resposta a algum deles?
Qual preserva mais músculo?
Um deles funciona melhor para gordura abdominal?
Hoje temos evidências melhores para responder parte dessas perguntas.
Em 2025, o estudo SURMOUNT-5 comparou diretamente tirzepatida e semaglutida durante 72 semanas em adultos com obesidade sem diabetes tipo 2. A tirzepatida produziu maior redução de peso e cintura do que a semaglutida na população estudada.
Entretanto, existe uma limitação essencial:
o SURMOUNT-5 não foi desenvolvido especificamente para mulheres na menopausa.
Por isso, “tirzepatida foi superior no estudo” não significa automaticamente “Mounjaro é melhor para toda mulher na menopausa”.

Primeiro: semaglutida e tirzepatida são o mesmo tipo de medicamento?
Não exatamente.
Os dois pertencem à família das terapias baseadas em incretinas.
Entretanto, seus mecanismos não são idênticos.
Semaglutida
A semaglutida atua como agonista do receptor de GLP-1.
O GLP-1 participa de:
- saciedade;
- ingestão alimentar;
- secreção de insulina;
- regulação da glicose;
- esvaziamento gástrico.
No Brasil, Wegovy contém semaglutida e possui indicação para controle crônico do peso dentro de critérios específicos de IMC e risco relacionado ao peso.
Tirzepatida
A tirzepatida atua nos receptores de:
- GIP;
- GLP-1.
Por isso, costuma ser chamada de agonista duplo de GIP/GLP-1.
No Brasil, Mounjaro recebeu em 2025 indicação para controle crônico do peso em adultos com obesidade ou determinados casos de sobrepeso com comorbidades.
O mecanismo duplo significa que tirzepatida é automaticamente melhor?
Não devemos concluir isso apenas pelo mecanismo.
Atuar em dois receptores não significa automaticamente produzir o dobro do efeito.
A superioridade precisa ser demonstrada em ensaios clínicos.
Nesse ponto, temos uma evidência importante:
o SURMOUNT-5 comparou os dois medicamentos diretamente.
O estudo randomizou adultos com obesidade, sem diabetes tipo 2, para tirzepatida ou semaglutida em doses máximas toleradas durante 72 semanas.
Portanto, quando falamos em diferença de perda de peso entre os dois, o SURMOUNT-5 possui mais valor do que comparar estudos independentes.
Por que comparar estudos diferentes pode enganar?
Imagine dois ensaios:
- um testa semaglutida;
- outro testa tirzepatida.
Se um deles encontrar perda de 15% e outro 22%, não podemos simplesmente declarar o segundo medicamento superior.
As populações podem diferir em:
- idade;
- peso inicial;
- diabetes;
- adesão;
- duração;
- protocolo;
- acompanhamento.
Por isso, uma comparação head-to-head, ou seja, direta no mesmo ensaio, oferece evidência mais sólida.
O que o SURMOUNT-5 encontrou?
O estudo concluiu que tirzepatida foi superior à semaglutida para redução de:
- peso corporal;
- circunferência da cintura.
O acompanhamento durou 72 semanas.
A redução média de peso ficou em torno de 20% com tirzepatida e aproximadamente 14% com semaglutida na população estudada.
Além disso, uma proporção maior de participantes tratados com tirzepatida atingiu reduções de peso mais elevadas.
Mas há uma limitação importante
Os participantes eram adultos com obesidade sem diabetes.
O estudo não teve como objetivo principal responder:
“qual funciona melhor especificamente depois da menopausa?”
Portanto, esse resultado deve ser interpretado como evidência geral de obesidade.
Então podemos dizer que Mounjaro emagrece mais que Wegovy?
Na população do SURMOUNT-5, tirzepatida produziu maior perda média de peso do que semaglutida.
Essa frase é sustentada pelos dados.
Entretanto, dizer:
“Mounjaro é melhor para você”
exigiria uma avaliação individual que o estudo não fornece.
Além da média de emagrecimento, uma decisão clínica envolve:
- indicação;
- doenças associadas;
- efeitos adversos;
- resposta individual;
- medicamentos;
- disponibilidade;
- tolerabilidade.
Portanto, maior perda média não resolve toda a escolha terapêutica.
O que já sabemos especificamente sobre tirzepatida na menopausa?
Nesse ponto, tirzepatida possui uma análise muito interessante.
Em 2025, pesquisadores reuniram mulheres dos estudos SURMOUNT-1, SURMOUNT-3 e SURMOUNT-4 e as classificaram retrospectivamente conforme estágio reprodutivo:
- pré-menopausa;
- perimenopausa;
- pós-menopausa.
No SURMOUNT-1, a redução média de peso com tirzepatida foi aproximadamente:
- 26% na pré-menopausa;
- 23% na perimenopausa;
- 23% na pós-menopausa.
Além disso, a cintura diminuiu aproximadamente 20 cm no grupo pós-menopausa.
Isso prova que a menopausa não altera a eficácia da tirzepatida?
Não completamente.
O estudo foi uma análise pós-hoc.
Isso significa que os ensaios originais não foram desenhados desde o início para comparar os estágios da menopausa.
As pesquisadoras classificaram as mulheres retrospectivamente e depois analisaram os resultados.
Portanto, o resultado é relevante e diretamente relacionado à menopausa.
Entretanto, possui menos força do que um grande ensaio prospectivo criado exclusivamente para essa pergunta.
Além disso, vários autores da análise tinham vínculos com a fabricante da tirzepatida, o que deve ser informado como parte da transparência científica.
E o que sabemos especificamente sobre semaglutida na pós-menopausa?
Também existem dados.
Um estudo publicado em 2024 avaliou 106 mulheres pós-menopáusicas tratadas com semaglutida para sobrepeso ou obesidade.
Dessas:
- 16 utilizavam terapia hormonal da menopausa;
- 90 não utilizavam.
Depois de 12 meses, ambos os grupos perderam peso.
Entretanto, as mulheres em terapia hormonal apresentaram perda média maior:
- aproximadamente 16%;
- contra cerca de 12% entre as que não utilizavam terapia hormonal.
Isso significa que terapia hormonal aumenta o efeito da semaglutida?
Ainda não podemos concluir isso.
O estudo foi:
- retrospectivo;
- pequeno;
- não randomizado;
- com apenas 16 mulheres no grupo de terapia hormonal.
Portanto, pode existir confusão por outras diferenças entre os grupos.
As próprias pesquisas posteriores tratam esse resultado como hipótese a ser testada, não como razão para iniciar terapia hormonal com objetivo de aumentar emagrecimento.
Assim:
terapia hormonal não deve ser iniciada para potencializar semaglutida.
Existe estudo semelhante de terapia hormonal com tirzepatida?
Há pesquisas observacionais emergentes sobre a combinação.
Entretanto, a evidência ainda é inicial e não estabelece que terapia hormonal aumente necessariamente a resposta à tirzepatida.
O posicionamento de 2026 da Sociedade Espanhola de Menopausa destaca que semaglutida atualmente possui mais evidência direta específica da menopausa, embora ainda limitada, enquanto tirzepatida precisa de investigação adicional específica.
Portanto, comparações entre hormônio + semaglutida e hormônio + tirzepatida ainda são prematuras.
Tabela 1 — Semaglutida x tirzepatida
| Característica | Semaglutida | Tirzepatida |
|---|---|---|
| Principal mecanismo | GLP-1 | GIP + GLP-1 |
| Marca para obesidade no Brasil | Wegovy | Mounjaro |
| Aplicação | Semanal | Semanal |
| Evidência robusta para obesidade | Sim | Sim |
| Comparação direta entre elas | Sim, SURMOUNT-5 | Sim, SURMOUNT-5 |
| Maior perda média no SURMOUNT-5 | Menor | Maior |
| Dados específicos pós-menopausa | Sim | Sim |
| Ensaio exclusivo de menopausa definitivo | Não | Não |
| Terapia hormonal aumenta resposta? | Hipótese observacional | Ainda incerto |
Qual dos dois possui mais evidência específica da menopausa?
Segundo o posicionamento de especialistas publicado em 2026, semaglutida possui atualmente maior volume de evidência direta específica para mulheres peri e pós-menopáusicas, embora essa base continue limitada e em boa parte observacional.
Isso pode parecer curioso, porque tirzepatida possui a análise pós-hoc do SURMOUNT por estágio reprodutivo.
Entretanto, quantidade e tipo de estudos não são a mesma coisa.
Portanto, existem duas perguntas diferentes:
qual possui maior efeito médio na comparação geral?
→ tirzepatida no SURMOUNT-5.
qual possui atualmente maior volume de pesquisa direta sobre menopausa?
→ semaglutida, segundo o posicionamento de 2026.
Por que essa diferença importa?
Porque “melhor evidência” pode signific coisas diferentes.
Podemos falar de:
- maior quantidade de estudos;
- estudo mais diretamente relacionado à menopausa;
- comparação direta mais forte;
- maior duração de acompanhamento;
- maior relevância cardiovascular.
Portanto, não existe uma única escala em que um medicamento seja “melhor em tudo”.
Essa é uma das principais razões para evitar rankings simplificados.
Semaglutida possui benefício cardiovascular comprovado?
Sim, e esse ponto diferencia parte do corpo de evidência.
No Brasil, em fevereiro de 2026, a Anvisa aprovou para Wegovy uma nova indicação para redução do risco de eventos cardiovasculares graves em adultos com doença cardiovascular estabelecida e obesidade ou sobrepeso.
Isso significa que semaglutida possui evidência de desfecho cardiovascular clínico dentro dessa população específica.
Entretanto, não significa que toda mulher na menopausa obtenha o mesmo benefício individual.
A indicação depende do perfil cardiovascular estudado.
Tirzepatida possui outras evidências cardiometabólicas importantes?
Sim.
Os estudos SURMOUNT mostram melhorias em:
- peso;
- cintura;
- glicemia;
- outros fatores cardiometabólicos.
Além disso, a tirzepatida possui estudos sobre prevenção de diabetes em pessoas com obesidade e pré-diabetes.
Portanto, o medicamento não deve ser analisado apenas pela balança.
Entretanto, os diferentes programas de estudos ainda possuem maturidade e objetivos clínicos diferentes.
Qual reduz mais a cintura?
Na comparação direta SURMOUNT-5, a tirzepatida também apresentou maior redução média da circunferência da cintura do que a semaglutida.
Além disso, a análise específica por estágio reprodutivo encontrou redução de aproximadamente 20 cm em mulheres pós-menopáusicas tratadas com tirzepatida no SURMOUNT-1.
Entretanto, cintura não mede diretamente gordura visceral.
Portanto:
redução maior de cintura ≠ prova de redução específica de gordura visceral na mesma proporção.
Um deles é melhor para a “barriga da menopausa”?
Não existe indicação específica para “barriga da menopausa”.
Os dois medicamentos podem reduzir:
- peso;
- adiposidade;
- circunferência abdominal.
Entretanto, nenhum deles age seletivamente sobre gordura abdominal causada pela menopausa.
Além disso, redistribuição da gordura nessa fase depende de:
- estrogênio;
- idade;
- atividade;
- composição corporal;
- genética.
Portanto, não existe uma “caneta para gordura hormonal” como categoria médica separada.
Tirzepatida atua diretamente na gordura porque o receptor GIP existe nos adipócitos?
O receptor de GIP também está presente no tecido adiposo, e a Anvisa descreve a ação da tirzepatida sobre GIP e GLP-1.
Entretanto, transformar esse mecanismo em:
“Mounjaro queima gordura diretamente”
seria uma extrapolação.
O emagrecimento resulta de múltiplos efeitos, incluindo:
- menor ingestão energética;
- saciedade;
- regulação metabólica.
Portanto, o mecanismo celular não substitui os resultados clínicos.
Os dois medicamentos reduzem apetite?
Sim.
A regulação do apetite representa parte importante dos seus efeitos sobre o peso.
Semaglutida atua através do receptor de GLP-1.
Tirzepatida atua através de GIP e GLP-1.
Ambas podem:
- aumentar saciedade;
- reduzir fome em determinados contextos;
- diminuir ingestão energética.
Entretanto, resposta individual varia.
Uma pessoa pode apresentar forte redução de apetite com um medicamento e resposta menor com outro.
Qual reduz mais a fome?
O SURMOUNT-5 comparou principalmente desfechos como peso e cintura.
Isso não significa que exista um número simples indicando que um medicamento reduz fome em determinada porcentagem maior.
Além disso, fome subjetiva depende de:
- dose tolerada;
- alimentação;
- resposta individual;
- tempo de tratamento.
Portanto, maior perda média de peso não deve ser traduzida automaticamente em “corta mais a fome”.
E a vontade de doce?
Os dois medicamentos podem modificar interesse por alimentos em algumas pessoas.
Entretanto, não são medicamentos aprovados especificamente para craving de açúcar.
Além disso, desejo por doce pode envolver:
- sono;
- estresse;
- hábito;
- ambiente;
- restrição alimentar;
- comportamento emocional.
Portanto, escolher semaglutida ou tirzepatida com base apenas em “qual tira mais vontade de doce” não representa uma comparação sustentada pelos grandes ensaios.
Qual preserva mais massa muscular?
Essa pergunta ainda não possui uma resposta definitiva.
Grandes perdas de peso com medicamentos antiobesidade incluem:
- gordura;
- massa livre de gordura.
Isso vale para diferentes estratégias de emagrecimento.
Entretanto, comparar diretamente a qualidade da composição corporal perdida entre semaglutida e tirzepatida exige estudos específicos.
O SURMOUNT-5 demonstrou maior perda de peso com tirzepatida, mas não estabeleceu que ela preserve mais músculo do que semaglutida.
Perder mais peso significa necessariamente perder mais músculo?
Não necessariamente.
Uma pessoa pode perder mais peso principalmente devido a maior perda de gordura.
Entretanto, alguma massa livre de gordura pode diminuir.
Além disso, “massa livre de gordura” não significa apenas músculo esquelético.
Ela inclui:
- água;
- órgãos;
- outros tecidos.
Portanto, não devemos interpretar qualquer redução de massa magra como sarcopenia.
Por que isso importa especialmente depois da menopausa?
Porque mulheres na pós-menopausa já enfrentam preocupação crescente com:
- força muscular;
- massa muscular;
- saúde óssea;
- sarcopenia;
- capacidade funcional.
O posicionamento de 2026 da Sociedade Espanhola de Menopausa recomenda justamente integrar tratamentos incretínicos a uma perspectiva que considere músculo, risco de fratura, exercício resistido e adequação nutricional.
Portanto, o objetivo não deveria ser apenas produzir a maior queda possível da balança.
Um dos dois é melhor para mulheres com sarcopenia?
Ainda não sabemos.
Nenhum dos dois possui indicação específica para sarcopenia.
Além disso, não existe ensaio robusto mostrando superioridade de semaglutida ou tirzepatida para preservar função muscular em mulheres pós-menopáusicas com sarcopenia.
Pesquisas específicas estão começando a investigar esse tema.
A Mayo Clinic, por exemplo, mantém estudos avaliando tirzepatida e função física em mulheres pós-menopáusicas com obesidade.
Isso mostra que a pergunta ainda está em investigação.
Os dois podem ser combinados com musculação?
Atividade física e treinamento resistido fazem parte do manejo geral da obesidade e da saúde musculoesquelética.
Entretanto, o exercício não serve simplesmente para “compensar a perda muscular causada pela caneta”.
Seu papel é mais amplo.
Treinamento resistido pode beneficiar:
- força;
- massa muscular;
- função física;
- saúde óssea.
Portanto, ele continua relevante independentemente de qual medicamento esteja sendo utilizado.
E proteína?
O mesmo raciocínio vale para proteína.
Uma grande redução do apetite pode tornar mais difícil consumir quantidades adequadas de diferentes nutrientes.
Entretanto, necessidades proteicas variam conforme:
- idade;
- peso;
- saúde renal;
- atividade física;
- alimentação total.
Por isso, este artigo não oferece uma dose universal de proteína para pessoas usando semaglutida ou tirzepatida.
Qual causa mais efeitos gastrointestinais?
Os dois medicamentos apresentam eventos adversos gastrointestinais com frequência.
Entre eles estão:
- náusea;
- diarreia;
- constipação;
- vômitos;
- desconforto abdominal.
No SURMOUNT-5, os eventos adversos mais comuns em ambos os grupos foram gastrointestinais e ocorreram principalmente durante a fase de aumento das doses.
Portanto, nenhum dos dois deve ser tratado como medicamento “sem efeitos colaterais”.
Tirzepatida é mais tolerável?
A comparação de segurança precisa ser feita com cuidado.
Embora análises e comentários sobre o SURMOUNT-5 tenham discutido diferenças gastrointestinais, tolerabilidade individual varia bastante.
Além disso, a frequência de determinado evento não informa automaticamente:
- gravidade;
- duração;
- impacto individual.
Portanto, não seria correto afirmar que um medicamento é universalmente “mais fácil de usar”.
O risco de pancreatite existe nos dois?
Medicamentos incretínicos possuem advertências relacionadas a pancreatite.
No Brasil, a Anvisa reforçou em 2026 o alerta sobre pancreatite aguda associada ao uso inadequado das chamadas canetas emagrecedoras.
Portanto, automedicação e uso fora das indicações não são questões triviais.
A segurança precisa ser interpretada dentro do contexto clínico e regulatório.

Qual tem mais tempo de uso e experiência clínica?
Semaglutida chegou antes ao mercado e possui um corpo de evidência mais antigo.
Isso significa maior tempo acumulado de experiência em diferentes indicações.
Tirzepatida é mais recente, embora já possua grandes programas de ensaios.
Portanto, uma terapia mais nova pode apresentar resultados médios superiores em determinados desfechos e, ao mesmo tempo, ter menor tempo histórico de utilização.
Esses aspectos não são contraditórios.
Wegovy e Ozempic são a mesma coisa?
Possuem o mesmo princípio ativo:
semaglutida.
Entretanto, são produtos com:
- indicações regulatórias distintas;
- apresentações;
- contextos terapêuticos diferentes.
Wegovy possui indicação específica para controle de peso.
Ozempic é utilizado principalmente no contexto de diabetes tipo 2 e possui outras indicações específicas aprovadas.
Portanto, usar “Ozempic” como sinônimo geral de semaglutida para obesidade pode gerar confusão.
E Mounjaro?
Mounjaro contém tirzepatida.
No Brasil, a Anvisa ampliou sua indicação em junho de 2025 para controle crônico do peso dentro dos critérios aprovados.
Portanto, uma comparação regulatória adequada seria:
Wegovy — semaglutida para obesidade
versus
Mounjaro — tirzepatida para obesidade.
Essa separação evita misturar princípio ativo e nome comercial.
A situação da semaglutida mudou em 2026?
Sim.
Em maio de 2026, a Anvisa aprovou uma atualização da posologia de Wegovy para determinados adultos com obesidade que não alcançaram resposta clínica adequada com a dose padrão de 2,4 mg.
A nova possibilidade prevê dose de manutenção maior em situações específicas.
Isso mostra por que comparações de medicamentos precisam considerar a regulamentação atual, e não apenas doses utilizadas nos primeiros estudos.
Entretanto, esta informação não deve ser usada como orientação de dose individual.
Isso muda a comparação com tirzepatida?
Possivelmente muda parte das futuras comparações.
O SURMOUNT-5 utilizou semaglutida em doses máximas toleradas de 1,7 ou 2,4 mg e tirzepatida de 10 ou 15 mg.
A atualização brasileira de 2026 ocorreu depois desse ensaio.
Portanto, o SURMOUNT-5 não responde à comparação entre tirzepatida e a nova estratégia de semaglutida de maior manutenção atualmente permitida em situações específicas no Brasil.
Essa nuance é importante.
Qual possui melhores dados em mulheres usando terapia hormonal?
Semaglutida possui um estudo retrospectivo diretamente publicado sobre essa questão.
Entre 106 mulheres pós-menopáusicas, aquelas que utilizavam terapia hormonal apresentaram perda média maior durante o tratamento com semaglutida.
Entretanto, o grupo de terapia hormonal tinha apenas 16 participantes.
Por isso, a Sociedade Espanhola de Menopausa considera essa associação geradora de hipótese, e não justificativa para iniciar terapia hormonal para aumentar a perda de peso.
Tirzepatida ainda possui evidência menos consolidada nesse ponto.
Terapia hormonal deve ser escolhida com base na caneta utilizada?
Não.
Terapia hormonal possui indicações relacionadas à menopausa.
Ela não deve ser iniciada com a finalidade de:
- potencializar Wegovy;
- potencializar Mounjaro;
- acelerar emagrecimento.
O posicionamento de 2026 reforça que decisões sobre terapia hormonal precisam ser individualizadas e separadas da escolha de medicamento antiobesidade.
Portanto, são duas decisões clínicas diferentes que podem coexistir, mas não devem ser confundidas.
Um dos medicamentos trata ondas de calor?
Não são tratamentos aprovados para sintomas vasomotores.
Semaglutida e tirzepatida tratam condições metabólicas e obesidade dentro de suas indicações.
Entretanto, pesquisadores estão começando a estudar se mudanças de peso e metabolismo podem influenciar sintomas menopausais.
Existem inclusive ensaios específicos investigando tirzepatida e sintomas vasomotores em mulheres pós-menopáusicas.
Mas enquanto os resultados não estiverem estabelecidos:
eles não devem ser apresentados como tratamento para fogachos.
Um deles é melhor para quem tem diabetes?
Essa pergunta muda bastante a comparação.
Semaglutida e tirzepatida possuem evidências e indicações relacionadas a diabetes tipo 2.
Entretanto, o SURMOUNT-5 excluiu pessoas com diabetes.
Portanto, usar esse ensaio para responder diretamente “qual é melhor para uma mulher com diabetes?” seria inadequado.
Existem outros estudos específicos nessa população.
Assim, a resposta depende da condição clínica analisada.
E para quem não tem diabetes?
Nesse cenário, o SURMOUNT-5 é especialmente relevante.
Os participantes tinham obesidade sem diabetes tipo 2.
Nesse grupo, tirzepatida produziu maior redução média de peso e cintura do que semaglutida.
Entretanto, novamente:
o estudo não selecionou exclusivamente mulheres pós-menopáusicas.
Portanto, a comparação menopausal continua parcialmente extrapolada a partir da população geral do ensaio.
Qual possui maior evidência para prevenção cardiovascular?
Semaglutida possui atualmente um dado regulatório importante nesse aspecto.
A Anvisa aprovou em 2026 Wegovy para reduzir o risco de eventos cardiovasculares adversos graves em adultos com doença cardiovascular estabelecida e obesidade ou sobrepeso.
Isso representa uma indicação clínica baseada em desfechos cardiovasculares.
Portanto, “qual reduz mais peso?” e “qual possui determinada indicação cardiovascular?” são perguntas diferentes.
A maior perda de peso não torna automaticamente um medicamento superior em todos os desfechos.
Qual é melhor para gordura visceral?
Ainda não existe uma resposta direta específica da menopausa.
Ambos podem reduzir adiposidade e circunferência da cintura.
Tirzepatida apresentou maior redução da cintura no SURMOUNT-5.
Entretanto, cintura não mede diretamente gordura visceral.
Além disso, para afirmar superioridade específica sobre gordura visceral precisaríamos comparar os compartimentos por exames de imagem adequados.
Portanto, a evidência não sustenta:
“tirzepatida é o medicamento da gordura visceral da menopausa”.
A maior perda de peso pode ser uma vantagem para algumas pessoas?
Pode.
Em determinadas situações clínicas, produzir maior redução de peso pode oferecer benefícios importantes.
Entretanto, maior perda também aumenta a necessidade de acompanhar:
- nutrição;
- massa muscular;
- força;
- função física;
- possíveis efeitos adversos.
Por isso, o posicionamento recente sobre incretinas na menopausa recomenda considerar não apenas peso, mas também saúde musculoesquelética e funcional.
Esse ponto é particularmente relevante para mulheres na pós-menopausa.
E saúde óssea?
Ainda existem perguntas importantes.
A perda significativa de peso pode modificar carga mecânica sobre os ossos e composição corporal.
Além disso, mulheres pós-menopáusicas já apresentam maior risco de perda óssea.
Por isso, especialistas vêm defendendo que estudos e acompanhamento de terapias incretínicas nessa população considerem:
- massa muscular;
- função;
- fratura;
- saúde óssea.
Atualmente não existe base para afirmar que um dos dois seja claramente superior para proteção óssea.
O peso volta quando os medicamentos são interrompidos?
Os estudos de retirada mostram que recuperação de peso pode acontecer após interrupção das terapias antiobesidade.
Esse fenômeno reforça a compreensão da obesidade como condição crônica.
Portanto, semaglutida e tirzepatida não devem ser pensadas necessariamente como:
“uso alguns meses, perco peso e acabou”.
Decisões sobre duração do tratamento pertencem ao contexto clínico.
Além disso, reganho não deve ser interpretado automaticamente como falta de disciplina.
Tirzepatida recupera menos peso que semaglutida quando interrompida?
Não existe uma comparação direta robusta capaz de oferecer uma resposta simples.
Programas de estudos diferentes analisaram retirada e manutenção em condições distintas.
Portanto, comparar percentuais de reganho entre ensaios separados pode gerar conclusões enganosas.
O ponto mais seguro atualmente é:
a manutenção do tratamento parece importante para sustentar grande parte da perda obtida com terapias farmacológicas da obesidade.
Qual funciona mais rápido?
A velocidade da resposta varia conforme:
- escalonamento;
- dose tolerada;
- peso inicial;
- resposta individual;
- alimentação;
- efeitos adversos.
Por isso, comparar apenas “quantos quilos no primeiro mês” não representa uma forma confiável de avaliar superioridade.
Os grandes ensaios analisam resultados ao longo de muitos meses.
Assim, uma comparação de longo prazo possui mais valor do que relatos individuais de poucas semanas.
Existe “não respondedor”?
Sim.
Nem todas as pessoas apresentam grande perda de peso com esses medicamentos.
Médias de ensaio escondem ampla variabilidade individual.
Algumas pessoas:
- perdem muito;
- perdem moderadamente;
- perdem pouco.
Portanto, mesmo que tirzepatida tenha produzido maior redução média no SURMOUNT-5, isso não significa que toda pessoa responderá melhor a ela do que à semaglutida.
Média populacional não determina resposta individual.
Menopausa pode explicar menor resposta?
Ainda não temos evidência suficiente para afirmar isso.
A análise de tirzepatida por estágio reprodutivo encontrou perdas importantes também na pós-menopausa.
Além disso, mulheres pós-menopáusicas também responderam à semaglutida no estudo de 2024.
Portanto, atualmente não existe evidência de que entrar na menopausa torne esses medicamentos ineficazes.
Entretanto, ainda precisamos de ensaios mais específicos.
Qual possui o estudo mais diretamente comparativo?
Para comparar os dois medicamentos entre si:
SURMOUNT-5.
Para tirzepatida especificamente por estágio reprodutivo:
análise pós-hoc do programa SURMOUNT.
Para semaglutida em mulheres pós-menopáusicas usando ou não terapia hormonal:
coorte retrospectiva de 2024.
Esses estudos respondem perguntas diferentes.
Tabela 2 — O que cada estudo realmente responde
| Estudo | Pergunta principal |
|---|---|
| SURMOUNT-5 | Tirzepatida x semaglutida em obesidade sem diabetes |
| SURMOUNT por estágio reprodutivo | Tirzepatida funciona antes, durante e depois da menopausa? |
| Estudo Mayo 2024 | Semaglutida em pós-menopáusicas com ou sem terapia hormonal |
| Posicionamento 2026 | Como interpretar terapias incretínicas especificamente na menopausa |
Existe um vencedor absoluto?
Não.
Se a pergunta for estritamente:
“qual produziu maior perda média no ensaio direto SURMOUNT-5?”
A resposta é:
tirzepatida.
Se a pergunta for:
“qual possui atualmente maior volume de evidência direta específica sobre menopausa?”
O posicionamento de 2026 aponta para:
semaglutida, embora essa evidência continue limitada.
Portanto, “vencedor” depende do desfecho que está sendo analisado.
O que mudou na discussão científica em 2026?
A discussão deixou de olhar apenas para perda percentual de peso.
Um posicionamento recente da Sociedade Espanhola de Menopausa propõe uma abordagem que inclua:
- adiposidade visceral;
- saúde muscular;
- risco de fratura;
- prevenção cardiovascular;
- terapia hormonal individualizada;
- exercício resistido;
- adequação proteica;
- função física.
Isso é particularmente importante para o público do Destrave o Peso.
A pergunta deixa de ser apenas:
“qual caneta emagrece mais?”
e passa a incluir:
“qual é o impacto global do tratamento na saúde da mulher?”
O que a ciência sustenta melhor atualmente?
Primeiro, semaglutida e tirzepatida são medicamentos eficazes para tratamento da obesidade dentro de indicações específicas.
Segundo, na comparação direta SURMOUNT-5, tirzepatida produziu maior redução média de peso e cintura.
Terceiro, mulheres pós-menopáusicas respondem aos dois medicamentos em estudos disponíveis.
Quarto, ainda faltam grandes ensaios desenhados especificamente para comparar ambos exclusivamente durante a menopausa.
Por fim, maior perda média de peso não significa automaticamente melhor escolha individual.
Onde ainda existe incerteza?
Ainda precisamos de pesquisas que respondam diretamente:
- tirzepatida continua superior à semaglutida especificamente na pós-menopausa?
- terapia hormonal modifica a resposta de algum dos dois?
- qual preserva melhor força e massa muscular?
- qual apresenta melhor perfil ósseo?
- qual reduz mais gordura visceral medida por imagem?
- efeitos adversos diferem conforme estágio menopausal?
- qual apresenta melhor manutenção no longo prazo?
- sintomas vasomotores mudam durante tratamento?
- idade desde a menopausa modifica resposta?
- mulheres com sarcopenia respondem de forma diferente?
Portanto, ainda existe uma lacuna importante entre estudos gerais de obesidade e perguntas específicas da saúde feminina.

O que os estudos não permitem concluir?
As evidências atuais não permitem afirmar que:
- tirzepatida seja melhor para toda mulher na menopausa;
- semaglutida funcione menos depois dos 50;
- menopausa impeça resposta aos medicamentos;
- terapia hormonal deva ser iniciada para potencializar emagrecimento;
- tirzepatida elimine seletivamente gordura visceral;
- semaglutida seja melhor para músculo;
- tirzepatida preserve mais massa muscular;
- um deles trate ondas de calor;
- maior perda média seja sempre melhor clinicamente;
- efeitos do SURMOUNT-5 sejam idênticos em mulheres pós-menopáusicas;
- novas doses de Wegovy tenham sido comparadas diretamente com tirzepatida no SURMOUNT-5;
- resultados médios permitam prever a resposta individual.
Conclusão: quais são as principais diferenças entre semaglutida e tirzepatida?
A primeira diferença está no mecanismo.
Semaglutida atua no receptor de GLP-1.
Tirzepatida atua em GIP e GLP-1.
A segunda diferença aparece no ensaio comparativo mais importante disponível.
No SURMOUNT-5, tirzepatida produziu maior redução média de peso e circunferência da cintura do que semaglutida durante 72 semanas em adultos com obesidade sem diabetes.
E especificamente na menopausa?
Aqui a resposta fica mais interessante.
Tirzepatida possui uma análise do programa SURMOUNT mostrando reduções importantes de peso em mulheres pré, peri e pós-menopáusicas, incluindo aproximadamente 23% de redução média no grupo pós-menopausa do SURMOUNT-1.
Semaglutida também possui dados específicos em mulheres pós-menopáusicas. Um estudo retrospectivo encontrou perda de peso relevante, com associação entre uso concomitante de terapia hormonal e maior perda — uma hipótese que ainda precisa ser confirmada.
Portanto, qual é a conclusão mais fiel?
Tirzepatida mostrou maior eficácia média para perda de peso na comparação direta geral, enquanto semaglutida possui atualmente um corpo um pouco maior de evidência direta específica da menopausa. Entretanto, ainda não existe um grande ensaio desenhado para provar que uma delas é a melhor escolha para mulheres pós-menopáusicas como grupo.
Além disso, a escolha não depende apenas do número de quilos perdidos.
Para mulheres na menopausa, saúde muscular, óssea, cardiovascular, metabólica e funcional também precisa entrar na análise.
PRINCIPAIS APRENDIZADOS
- Semaglutida e tirzepatida não são o mesmo medicamento.
- Semaglutida atua em GLP-1.
- Tirzepatida atua em GIP e GLP-1.
- Wegovy contém semaglutida.
- Mounjaro contém tirzepatida.
- Ambos possuem indicação para tratamento crônico do peso no Brasil dentro de critérios específicos.
- O SURMOUNT-5 comparou os dois diretamente.
- Tirzepatida produziu maior perda média de peso e cintura nesse estudo.
- O SURMOUNT-5 não foi exclusivo de mulheres na menopausa.
- Tirzepatida possui uma análise específica por estágio reprodutivo.
- Mulheres pós-menopáusicas apresentaram perda importante com tirzepatida.
- Semaglutida também possui estudos específicos em pós-menopáusicas.
- Uma pequena coorte encontrou associação entre terapia hormonal e maior resposta à semaglutida.
- Essa associação não prova que terapia hormonal potencialize o medicamento.
- Terapia hormonal não deve ser iniciada para aumentar emagrecimento.
- Semaglutida possui atualmente maior volume de evidência direta específica da menopausa.
- Tirzepatida possui maior perda média na comparação direta geral.
- Nenhum dos dois trata menopausa.
- Nenhum deles substitui estrogênio.
- Nenhum é tratamento específico para “barriga hormonal”.
- Não sabemos qual preserva melhor músculo especificamente na menopausa.
- Saúde muscular e óssea precisa ser considerada durante grandes perdas de peso.
- Maior perda média não determina automaticamente a melhor escolha individual.
- Por fim, resposta individual pode diferir muito das médias dos ensaios.
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Perguntas Frequentes
1. Tirzepatida emagrece mais que semaglutida?
No SURMOUNT-5, tirzepatida produziu maior redução média de peso e cintura do que semaglutida em adultos com obesidade sem diabetes tipo 2.
2. Isso significa que Mounjaro é melhor para toda mulher na menopausa?
Não. O SURMOUNT-5 não foi realizado exclusivamente em mulheres na menopausa, e resposta individual varia.
3. Semaglutida funciona depois da menopausa?
Sim. Estudos específicos em mulheres pós-menopáusicas encontraram perda de peso relevante com semaglutida.
4. Tirzepatida funciona depois da menopausa?
Uma análise do SURMOUNT encontrou redução média aproximada de 23% no grupo pós-menopausa estudado, além de grande redução da cintura.
5. Terapia hormonal aumenta o efeito da semaglutida?
Um pequeno estudo encontrou associação com maior perda de peso, mas não prova causalidade. Especialistas consideram esse resultado apenas gerador de hipótese.
6. Terapia hormonal deve ser usada para melhorar o efeito dessas canetas?
Não. Não existe recomendação para iniciar terapia hormonal com objetivo de aumentar a perda de peso.
7. Qual reduz mais barriga?
Tirzepatida reduziu mais a cintura no SURMOUNT-5, mas nenhum medicamento atua seletivamente sobre a chamada “barriga da menopausa”.
8. Qual preserva mais massa muscular?
Ainda não existe evidência suficiente para afirmar superioridade de um dos dois especificamente nesse desfecho em mulheres na menopausa.
9. Os dois possuem indicação para obesidade no Brasil?
Sim. Wegovy contém semaglutida e Mounjaro contém tirzepatida; ambos possuem indicações aprovadas para controle crônico do peso dentro de critérios específicos.
10. Qual é o melhor medicamento na menopausa?
Os estudos não permitem definir um medicamento universalmente melhor para toda mulher. A escolha depende do contexto clínico, objetivos terapêuticos, comorbidades, tolerabilidade e resposta individual.
REFERÊNCIAS
Comparação direta — SURMOUNT-5
- Aronne LJ, Horn DB, le Roux CW, et al. Tirzepatide as Compared with Semaglutide for the Treatment of Obesity. New England Journal of Medicine. 2025;393:26–36. DOI: 10.1056/NEJMoa2416394. Ensaio randomizado fase 3b com adultos com obesidade sem diabetes. Tirzepatida produziu maior redução de peso e cintura do que semaglutida.
O estudo foi financiado pela Eli Lilly, fabricante da tirzepatida, e vários autores tinham vínculo com a empresa. Essa informação não invalida o ensaio, mas deve ser considerada na avaliação da evidência.
Evidência específica de tirzepatida na menopausa
- Tchang BG, Ciudin Mihai A, Stefanski A, et al. Body weight reduction in women treated with tirzepatide by reproductive stage: a post hoc analysis from the SURMOUNT program. Obesity. 2025;33(5):851–860. PMID: 40074721. DOI: 10.1002/oby.24254.
A análise encontrou redução significativa de peso e cintura em mulheres pré, peri e pós-menopáusicas. Entretanto, tratou-se de análise pós-hoc e não de um ensaio originalmente desenhado para comparar estágios reprodutivos.
Evidência específica de semaglutida na pós-menopausa
- Hurtado MD, Tama E, Fansa S, et al. Weight loss response to semaglutide in postmenopausal women with and without hormone therapy use. Menopause. 2024;31(4):266–274. PMID: 38446869. DOI: 10.1097/GME.0000000000002310.
O estudo retrospectivo incluiu 106 mulheres pós-menopáusicas. As mulheres que utilizavam terapia hormonal apresentaram maior perda média de peso, mas o desenho observacional não permite concluir que a terapia hormonal tenha causado a diferença.
Posicionamentos e revisões de 2026
- Incretin-based therapies in peri- and postmenopausal women with obesity: an expert position statement from the Spanish Menopause Society. 2026. O documento conclui que semaglutida possui atualmente maior quantidade de evidência direta específica de menopausa, embora ainda limitada.
- Kunicki M, et al. Obesity treatment for postmenopausal women: Established therapies and emerging approaches — a narrative review. Maturitas. 2026;211:109025. A revisão destaca semaglutida e tirzepatida como farmacoterapias importantes para obesidade, mas reforça a necessidade de ensaios dedicados a mulheres pós-menopáusicas.
Fontes regulatórias brasileiras — semaglutida
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária — Anvisa. Wegovy (semaglutida). Indicação para controle de peso em adultos com obesidade ou sobrepeso acompanhado de comorbidades relacionadas ao peso.
- Anvisa. Nova indicação cardiovascular de Wegovy. Em fevereiro de 2026, a semaglutida recebeu indicação para redução de eventos cardiovasculares graves em determinados adultos com doença cardiovascular estabelecida e obesidade ou sobrepeso.
Atualização regulatória da semaglutida em 2026
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária — Anvisa. Atualização da posologia de Wegovy. Publicada em maio de 2026. A atualização passou a permitir, em situações específicas, uma estratégia de manutenção maior para adultos com obesidade sem resposta clínica adequada à dose padrão.
Essa atualização ocorreu depois do SURMOUNT-5. Portanto, o ensaio comparativo não avaliou essa nova estratégia de dose em relação à tirzepatida.
Fonte regulatória brasileira — tirzepatida
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária — Anvisa. Mounjaro® (tirzepatida): nova indicação. Publicada em junho de 2025. O medicamento passou a ter indicação aprovada para controle crônico do peso dentro de critérios específicos.
A Anvisa descreve a tirzepatida como medicamento que atua nos receptores de GIP e GLP-1, com efeitos sobre saciedade, ingestão alimentar, glicemia e sensibilidade à insulina.
FONTES CONFIÁVEIS PARA CONTINUAR PESQUISANDO
Bases científicas e sociedades internacionais
- PubMed / National Library of Medicine — NLM — ensaios clínicos, estudos SURMOUNT e pesquisas específicas sobre menopausa.
- International Menopause Society — IMS — recomendações sobre obesidade e saúde metabólica durante a meia-idade.
- The Menopause Society — estudos sobre terapias antiobesidade em mulheres pós-menopáusicas.
- Sociedade Espanhola de Menopausa — posicionamento específico de 2026 sobre terapias incretínicas em mulheres peri e pós-menopáusicas.
- ClinicalTrials.gov — registros de ensaios específicos em andamento.
Instituições brasileiras
- Anvisa — Agência Nacional de Vigilância Sanitária — indicações aprovadas, segurança, atualizações regulatórias e farmacovigilância.
- SBEM — Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia — diabetes, obesidade e tratamento farmacológico.
- ABESO — Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica — tratamento da obesidade baseado em evidências.
- FEBRASGO — climatério, menopausa e terapia hormonal.
- Sociedade Brasileira de Cardiologia — SBC — risco cardiovascular e obesidade.
Importante: essas instituições e bases são apresentadas como caminhos para aprofundamento da pesquisa. A inclusão nesta lista não significa que todas tenham sido usadas diretamente neste artigo. Os trabalhos efetivamente utilizados aparecem identificados em Referências.
Aviso: O conteúdo deste blog é estritamente informativo e não substitui a consulta, diagnóstico ou tratamento médico e nutricional personalizado.



