Juíza brasileira de meia-idade saindo de uma audiência após manhã de trabalho.

Cansaço na Menopausa Pode Reduzir a Atividade Física ao Longo do Dia?

O cansaço na menopausa pode aparecer de formas diferentes.

Algumas mulheres descrevem falta de energia ao acordar. Outras percebem que tarefas antes automáticas parecem exigir mais esforço. Além disso, há quem ainda consiga cumprir o trabalho, cuidar da casa e resolver compromissos, mas chegue ao fim do dia sem disposição para caminhar, treinar ou simplesmente se movimentar mais.

Isso levanta uma pergunta importante:

o cansaço pode realmente reduzir a atividade física durante a menopausa?

A resposta mais provável é sim, em algumas mulheres.

Entretanto, essa relação não é simples.

Fadiga pode diminuir a vontade de se movimentar. Por outro lado, períodos prolongados de pouca atividade também podem contribuir para menor condicionamento, pior sensação de vitalidade e mais dificuldade para realizar certas tarefas.

Além disso, sono interrompido, ondas de calor, dor, humor, trabalho, responsabilidades familiares e condições de saúde podem atuar ao mesmo tempo.

Portanto, não existe uma única sequência obrigatória em que:

menopausa → cansaço → sedentarismo.

A ciência aponta para uma relação mais complexa e possivelmente bidirecional.

Engenheira brasileira de meia-idade caminhando por obra durante atividade profissional.
Grande parte da atividade física diária vem de deslocamentos e movimentos cotidianos, e não apenas de exercícios planejados.

Índice

O que significa cansaço durante a menopausa?

“Cansaço” é uma palavra ampla.

Ela pode descrever sonolência, fadiga física, falta de motivação, sensação de fraqueza ou simplesmente baixa energia.

Além disso, essas experiências não são exatamente iguais.

Fadiga não é o mesmo que sono

Uma pessoa pode estar sonolenta porque dormiu pouco.

Entretanto, outra pode dormir várias horas e ainda relatar baixa energia.

Da mesma forma, fadiga física pode aparecer após esforço, enquanto fadiga mental pode surgir depois de um dia intenso de trabalho e decisões.

Por isso, perguntar apenas “você está cansada?” não revela necessariamente a origem do problema.

A transição menopausal pode acrescentar vários fatores

Durante a perimenopausa e a pós-menopausa, podem coexistir:

  • sono fragmentado;
  • ondas de calor;
  • suores noturnos;
  • dores musculoesqueléticas;
  • alterações de humor;
  • sangramento menstrual irregular;
  • mudanças de rotina.

Consequentemente, o cansaço pode refletir vários mecanismos sobrepostos.

Cansaço pode realmente funcionar como barreira à atividade física?

Sim.

Pesquisas qualitativas oferecem uma visão particularmente interessante sobre essa experiência.

Um estudo publicado em 2024 entrevistou mulheres irlandesas atravessando a transição menopausal.

Entre as 12 participantes, sete relataram falta de energia, cansaço ou fadiga.

Além disso, sintomas da transição apareceram como barreiras relevantes para permanecer fisicamente ativa. [1]

As mulheres descreveram uma contradição

Algumas reconheciam que se sentiam melhor depois de se movimentar.

Entretanto, justamente o cansaço dificultava iniciar a atividade.

Esse fenômeno cria uma espécie de paradoxo:

“sei que posso me sentir melhor depois, mas estou cansada demais para começar.”

Além disso, algumas mulheres relataram menor confiança na própria capacidade física.

Portanto, sintomas podem alterar não apenas energia, mas também percepção de capacidade.

Uma revisão sistemática encontrou padrão semelhante

Em 2024, uma revisão sistemática avaliou fatores que influenciam atividade física ao longo da transição menopausal.

Os pesquisadores identificaram problemas de saúde e sintomas como barreiras intrapessoais importantes.

Ao mesmo tempo, suporte social, segurança e confiança para se exercitar apareceram como facilitadores. [2]

Portanto, fadiga não atua isoladamente.

Ela se mistura com ambiente, apoio, rotina e expectativas.

Exercício planejado e movimento diário são coisas diferentes

Quando pensamos em atividade física, academia e caminhada costumam vir primeiro à mente.

Entretanto, grande parte do gasto energético do dia não acontece necessariamente durante uma sessão formal de exercício.

Atividade cotidiana também conta

Movimentos como:

  • caminhar até outro setor do trabalho;
  • subir escadas;
  • fazer compras;
  • cuidar do jardim;
  • realizar tarefas domésticas;
  • deslocar-se a pé;
  • levantar-se repetidamente;
  • carregar objetos;

também representam atividade física.

Além disso, existe o comportamento sedentário, caracterizado por longos períodos acordados com baixo gasto energético, geralmente sentada ou reclinada.

O cansaço pode alterar pequenas decisões

Uma mulher cansada talvez continue cumprindo suas obrigações.

Entretanto, pode:

  • escolher ficar sentada durante uma pausa;
  • evitar uma caminhada curta;
  • pedir entrega em vez de sair;
  • adiar tarefas domésticas;
  • passar mais tempo no sofá ao chegar em casa.

Individualmente, cada escolha parece pequena.

Porém, acumuladas durante o dia, podem reduzir bastante o movimento total.

VALE A PENA SABER

Atividade física não significa apenas exercício estruturado. Por isso, uma mulher pode deixar de treinar e, ao mesmo tempo, também reduzir centenas de pequenos movimentos ao longo do dia.

Sono ruim pode ligar menopausa, fadiga e menos movimento

Problemas de sono são frequentes durante e após a transição menopausal.

Além disso, eles podem ocorrer com ou sem ondas de calor.

Uma revisão publicada em 2025 destacou que alterações de sono estão entre os sintomas mais comuns e incômodos da menopausa. [3]

Sono fragmentado afeta o dia seguinte

Depois de uma noite ruim, podem aparecer:

  • sonolência;
  • dificuldade de concentração;
  • sensação de esforço maior;
  • irritabilidade;
  • menor motivação;
  • redução da disposição.

Consequentemente, atividades que normalmente pareceriam simples podem parecer mais cansativas.

Uma revisão de 2026 mostrou impacto na vida diária

Uma revisão sistemática sobre sono em mulheres pós-menopáusicas encontrou associação entre distúrbios do sono e pior qualidade de vida.

Além disso, os estudos analisados relacionaram pior sono a redução da produtividade e dificuldade maior para realizar atividades diárias. [4]

Isso não prova que insônia automaticamente reduz atividade física.

Entretanto, oferece uma ligação plausível entre noite ruim, cansaço diurno e menor capacidade ou disposição para se movimentar.

Ondas de calor podem participar indiretamente

Sintomas vasomotores podem fragmentar o sono em algumas mulheres.

Por isso, uma onda de calor noturna pode não reduzir movimento diretamente.

Entretanto, se ela interrompe repetidamente o descanso, pode contribuir para fadiga no dia seguinte.

Dor, rigidez e desconforto também podem reduzir o movimento

Nem toda diminuição de atividade acontece por falta de energia.

Dor articular, desconforto muscular e outras queixas físicas podem interferir na movimentação.

Além disso, a mulher pode começar a evitar movimentos porque teme piorar a dor.

Sintoma e comportamento podem se reforçar

Imagine alguém que sente desconforto ao subir escadas.

Inicialmente, essa pessoa começa a evitá-las.

Depois, movimenta-se menos.

Consequentemente, condicionamento e força podem diminuir ao longo do tempo.

Entretanto, essa sequência não acontece da mesma maneira com todas as pessoas.

Sintomas menopausais não são uma única categoria

Uma revisão de 2024 que reuniu 17 revisões sistemáticas, com 80 estudos primários e 8.983 participantes, mostrou que os efeitos da atividade física sobre sintomas menopausais variam bastante. [5]

Yoga apresentou alguns benefícios para determinados sintomas.

Por outro lado, resultados para exercício aeróbico e sintomas vasomotores foram mais inconsistentes.

Portanto, a relação entre exercício e sintomas não pode ser resumida a:

“mexer-se mais resolve tudo”.

Humor, ansiedade e motivação também entram nessa relação

A transição menopausal pode coincidir com alterações de humor em algumas mulheres.

Além disso, problemas de sono, estresse e sintomas físicos podem aumentar a carga emocional.

Isso importa porque atividade física não depende apenas de capacidade física.

Motivação também pode diminuir

Uma pessoa pode ter força suficiente para caminhar.

Entretanto, se está deprimida, muito ansiosa ou mentalmente exausta, começar a atividade pode parecer difícil.

Por outro lado, atividade física pode beneficiar sintomas psicológicos em determinadas mulheres.

Uma meta-análise de ensaios randomizados publicada em 2025 avaliou intervenções de atividade física e sintomas de depressão e ansiedade durante a transição menopausal e menopausa. [6]

Portanto, a relação pode ser circular

Menor disposição pode levar a menos atividade.

Ao mesmo tempo, menos atividade pode significar perder um comportamento que ajudava humor, socialização ou bem-estar.

Por isso, é mais adequado falar em ciclo potencial do que em causa única.

O que os estudos objetivos mostram sobre sedentarismo?

Questionários dependem da memória das participantes.

Por isso, pesquisas com acelerômetros ajudam a medir movimento de forma mais objetiva.

Um estudo publicado em 2024 analisou 6.126 mulheres pós-menopáusicas entre 63 e 97 anos usando acelerômetros por uma semana. [7]

Grande parte do dia foi sedentária

Em média, as participantes passaram aproximadamente 62% do tempo acordadas em comportamento sedentário.

Além disso, o estudo identificou diferentes perfis de movimento.

Isso mostra que mulheres pós-menopáusicas não formam um grupo homogêneo.

Algumas acumulam mais atividade leve.

Outras passam muito mais tempo sentadas.

Entretanto, esse estudo era transversal e incluiu mulheres mais velhas.

Portanto, ele não prova que a menopausa tenha causado o comportamento sedentário.

Tabela 1 — Movimento diário não é apenas exercício

ComportamentoExemplo
SedentárioPermanecer sentada trabalhando ou assistindo TV
Atividade leveOrganizar objetos, caminhar lentamente, tarefas domésticas
Atividade moderadaCaminhada mais rápida, algumas atividades recreativas
Atividade vigorosaExercícios mais intensos
Exercício estruturadoSessão planejada de caminhada, força, dança ou ciclismo

Essa distinção ajuda a entender por que o cansaço pode afetar o dia inteiro, e não apenas o horário do treino.

Chef brasileira de meia-idade encerrando o expediente em restaurante.
Horários extensos, demandas profissionais e sono podem se somar aos sintomas da menopausa e influenciar a sensação de energia.

Menos movimento pode influenciar peso e composição corporal?

Pode contribuir.

Movimento cotidiano faz parte do gasto energético diário.

Portanto, se uma pessoa passa progressivamente mais tempo sentada e menos tempo ativa, seu gasto pode diminuir.

Entretanto, isso não significa que qualquer redução de movimento cause automaticamente ganho de peso.

Pequenas diferenças podem se acumular

A diferença entre um dia com mais deslocamentos e outro muito sedentário pode parecer pequena.

Porém, ao longo de meses, padrões persistentes podem contribuir para alterações do balanço energético.

Além disso, menos atividade pode reduzir estímulos importantes para músculos.

Atividade leve também merece atenção

Um estudo prospectivo com 65 mulheres entre 47 e 54 anos avaliou atividade por acelerometria ao longo da transição menopausal.

Maior tempo em atividade leve apresentou associação inversa com gordura total e central em determinadas análises. [8]

Entretanto, o tamanho da amostra era pequeno.

Além disso, associação não demonstra causalidade.

Por isso, o resultado sugere relevância do movimento cotidiano, mas não permite afirmar que determinada quantidade de atividade leve impede ganho de gordura.

O ciclo cansaço–menos atividade pode funcionar nos dois sentidos?

Provavelmente.

Essa é uma das partes mais interessantes da discussão.

Cansaço pode reduzir movimento.

Entretanto, estudos também relacionam níveis maiores de atividade a melhor percepção de energia em algumas populações.

Um estudo com mulheres mais velhas ajuda a ilustrar

Pesquisadores analisaram mais de 6.000 mulheres do Women’s Health Initiative com acelerômetros.

Ao substituir parte do tempo sedentário por atividade física, especialmente atividade moderada a vigorosa, as participantes apresentaram melhores escores médios relacionados a fadiga e energia. [9]

Entretanto, esse estudo observacional não demonstra que simplesmente substituir determinado número de minutos produzirá a mesma resposta em todas as mulheres.

Não existe contradição

Uma mulher pode estar cansada demais para começar.

Ao mesmo tempo, depois de uma atividade tolerável, pode se sentir melhor.

Essa experiência apareceu inclusive nas entrevistas com mulheres em transição menopausal. [1]

Portanto, o problema pode ser justamente a barreira inicial.

Tabela 2 — Um possível ciclo bidirecional

SituaçãoPossível consequência
Sono ruimMais fadiga no dia seguinte
Mais fadigaMenor disposição para movimento
Menos movimentoMenor estímulo físico e condicionamento
Menor condicionamentoAtividades podem parecer mais difíceis
Mais dificuldade percebidaMaior tendência a evitar movimento
Atividade adequada ao contextoPode melhorar vitalidade em algumas pessoas

Esse ciclo é uma hipótese comportamental plausível, não uma sequência inevitável.

Exercício melhora o cansaço da menopausa?

Pode ajudar algumas mulheres, mas a evidência não sustenta uma fórmula universal.

Revisões sobre exercício na menopausa mostram benefícios para vários aspectos da saúde.

Entretanto, resultados variam conforme modalidade, intensidade, duração, sintomas e população.

Sono é um bom exemplo dessa heterogeneidade

Uma meta-análise de 2025 avaliou nove estudos com 1.579 mulheres que apresentavam sintomas vasomotores.

As intervenções de atividade física não produziram melhora significativa consistente da qualidade do sono ou da insônia, embora tenham ocorrido pequenos efeitos em alguns desfechos. [10]

Portanto, dizer que “exercício cura insônia da menopausa” seria incorreto.

Outros desfechos podem melhorar

Exercício pode beneficiar aptidão cardiorrespiratória, força, função, saúde metabólica e vários aspectos de qualidade de vida.

Por isso, mesmo quando determinado sintoma não melhora diretamente, a atividade pode continuar oferecendo benefícios.

Entretanto, isso não significa que toda mulher cansada precise simplesmente “se esforçar mais”.

Contexto e causas do cansaço importam.

Cansaço não deve ser automaticamente atribuído à menopausa

Esse é um ponto de segurança importante.

Fadiga é um sintoma muito inespecífico.

Portanto, embora possa aparecer durante a transição menopausal, ela também pode acompanhar diversas outras situações.

Existem várias explicações possíveis

Entre elas:

  • anemia;
  • alterações da tireoide;
  • apneia do sono;
  • diabetes;
  • depressão;
  • ansiedade;
  • infecções;
  • doenças cardiovasculares;
  • efeitos de medicamentos;
  • deficiência nutricional em determinados contextos.

Além disso, sangramentos menstruais muito intensos durante a perimenopausa podem contribuir para anemia em algumas mulheres.

O contexto muda a interpretação

Cansaço leve depois de noites mal dormidas não representa a mesma situação que fadiga intensa, progressiva e incapacitante.

Da mesma forma, falta de energia acompanhada de falta de ar, dor no peito, desmaio, perda de peso não planejada ou outros sintomas importantes exige outra abordagem.

Portanto, “estou na menopausa” não deve servir como explicação automática para qualquer fadiga.

Atividade física também depende da vida fora da menopausa

Nem toda redução de movimento tem origem biológica.

Mulheres na meia-idade frequentemente acumulam grandes responsabilidades profissionais e familiares.

Além disso, podem cuidar simultaneamente de filhos, pais idosos, casa e carreira.

Falta de tempo aparece como barreira real

No estudo qualitativo com mulheres irlandesas, a “correria da vida” e demandas concorrentes apareceram entre as barreiras à atividade física. [1]

A revisão sistemática socioecológica chegou a conclusão semelhante: comportamento depende de fatores individuais, sociais e ambientais. [2]

Portanto, explicar sedentarismo apenas por hormônios ou motivação seria inadequado.

Ambiente também pode facilitar ou dificultar

Segurança, acesso a espaços adequados, apoio social e confiança influenciam a participação.

Além disso, uma mulher que trabalha sentada durante oito horas encontra um contexto diferente de outra cujo trabalho exige deslocamentos constantes.

Consequentemente, o padrão de movimento não pode ser interpretado fora da vida real.

O que a ciência permite concluir hoje?

Existe evidência de que sintomas da transição menopausal podem interferir no envolvimento com atividade física.

Entre esses sintomas, falta de energia e cansaço aparecem em pesquisas qualitativas como barreiras relatadas pelas próprias mulheres. [1]

Além disso, sono ruim pode prejudicar atividades diárias e qualidade de vida. [4]

Entretanto, não existe um grande ensaio que prove uma sequência simples em que menopausa provoca fadiga e fadiga reduz diretamente um número específico de passos por dia.

A relação é provavelmente multifatorial

Ela pode envolver:

  • sono;
  • sintomas vasomotores;
  • dor;
  • humor;
  • condicionamento;
  • trabalho;
  • responsabilidades;
  • doenças;
  • ambiente;
  • hábitos anteriores.

Além disso, atividade física também pode melhorar energia e bem-estar em algumas mulheres.

Por isso, a relação pode ser bidirecional.

Pesquisadora brasileira caminhando em jardim botânico durante trabalho de campo.
Caminhadas curtas, deslocamentos e outras atividades leves também compõem o movimento diário.

Associação não é culpa

Se uma mulher percebe que passou a se movimentar menos durante uma fase de fadiga, isso não demonstra falta de disciplina.

Ao mesmo tempo, também não significa que a queda de atividade seja inevitável.

O primeiro passo científico é entender o contexto, e não moralizar o comportamento.

Conclusão: cansaço na menopausa pode reduzir a atividade física?

O cansaço na menopausa pode, sim, contribuir para menor atividade física em algumas mulheres.

Entretanto, a explicação costuma ser mais ampla do que simplesmente “falta de energia causada pelos hormônios”.

Sono fragmentado, ondas de calor, dor, humor, estresse, trabalho, responsabilidades familiares e condições clínicas podem influenciar a disposição e a capacidade percebida de se movimentar.

Pequenos movimentos também importam

A redução não precisa aparecer somente como abandono da academia.

Ela pode surgir em pequenas escolhas cotidianas:

mais tempo sentada, menos deslocamentos, menos tarefas ativas e menos caminhadas espontâneas.

Portanto, o impacto pode acontecer ao longo do dia inteiro.

A relação também pode funcionar ao contrário

Menos movimento pode contribuir para menor condicionamento e pior percepção de energia.

Ao mesmo tempo, atividade física adequada ao contexto pode melhorar vitalidade em algumas mulheres.

Assim, a melhor explicação não é:

“estou cansada porque estou sedentária”

nem:

“estou sedentária apenas porque estou na menopausa”.

A ciência sugere um sistema de influências mútuas.

Por isso, compreender sono, sintomas, saúde, rotina e comportamento oferece uma visão muito mais completa do que culpar a mulher ou atribuir tudo aos hormônios.

PRINCIPAIS APRENDIZADOS

  • Primeiramente, cansaço, fadiga e sonolência não são exatamente a mesma experiência.
  • Sintomas da transição menopausal podem funcionar como barreiras à atividade física.
  • Além disso, mulheres relatam falta de energia como uma dessas barreiras.
  • Sono ruim pode contribuir para fadiga durante o dia.
  • Por outro lado, sono ruim pode ocorrer mesmo sem ondas de calor.
  • Dor, rigidez e desconforto também podem diminuir o movimento.
  • Além disso, alterações de humor e estresse podem afetar motivação.
  • Atividade física inclui exercício e movimento cotidiano.
  • Portanto, o cansaço pode reduzir também pequenas atividades distribuídas ao longo do dia.
  • Estudos com acelerômetros mostram grande quantidade de comportamento sedentário em muitas mulheres pós-menopáusicas.
  • Entretanto, esses estudos não provam que a menopausa seja a causa.
  • Movimento leve também pode ser relevante para composição corporal e gasto energético.
  • Ao mesmo tempo, maior atividade pode se associar a melhor percepção de energia.
  • Portanto, a relação entre fadiga e movimento pode ser bidirecional.
  • Exercício oferece vários benefícios, mas não trata todos os sintomas da menopausa de forma uniforme.
  • Além disso, cansaço persistente possui muitas outras possíveis causas.
  • Fadiga intensa ou incomum não deve ser automaticamente atribuída à menopausa.
  • Por fim, ambiente, trabalho, apoio social e responsabilidades também influenciam quanto uma mulher se movimenta.

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FAQ — Perguntas Frequentes

1. Cansaço é comum na menopausa?

Pode ocorrer durante a transição menopausal. Entretanto, cansaço é um sintoma inespecífico e também aparece em várias outras condições. Por isso, não deve ser automaticamente atribuído aos hormônios.

2. Menopausa pode fazer uma mulher se movimentar menos?

Sim, em algumas mulheres. Além disso, estudos qualitativos mostram que sintomas, falta de energia e menor confiança podem funcionar como barreiras à atividade física.

3. Sono ruim pode causar cansaço durante o dia?

Sim. Consequentemente, sono fragmentado pode afetar concentração, disposição e capacidade percebida para atividades diárias.

4. Ondas de calor podem reduzir a atividade física?

Possivelmente de forma indireta. Por exemplo, ondas de calor noturnas podem interromper o sono e contribuir para fadiga no dia seguinte. Entretanto, a relação varia entre mulheres.

5. Parar de treinar é a única forma de reduzir atividade?

Não. Na verdade, uma pessoa pode manter algumas sessões de exercício e, ao mesmo tempo, passar muito mais horas sentada ao longo do restante do dia.

6. Movimento leve realmente conta?

Sim. Caminhadas curtas, tarefas domésticas e deslocamentos também fazem parte da atividade física. Além disso, estudos sugerem associação entre maior atividade leve e alguns indicadores de composição corporal.

7. Fazer exercício aumenta a energia?

Pode aumentar a percepção de vitalidade em algumas pessoas. Entretanto, resposta depende de saúde, condicionamento, intensidade e causa do cansaço.

8. Exercício resolve o cansaço da menopausa?

Não existe evidência para essa afirmação universal. Embora exercício ofereça diversos benefícios, fadiga pode ter causas diferentes e nem todos os sintomas respondem da mesma forma.

9. Ficar cansada significa que estou perdendo condicionamento?

Não necessariamente. Por outro lado, períodos prolongados de pouca atividade podem reduzir condicionamento, o que pode fazer determinadas tarefas parecerem mais difíceis.

10. Quando o cansaço merece avaliação?

Fadiga persistente, muito intensa, progressiva ou acompanhada de outros sintomas relevantes merece atenção individual. Portanto, menopausa não deve ser usada como explicação automática para qualquer queda de energia.

REFERÊNCIAS

Atividade física e barreiras durante a menopausa

  • Kealy R, et al. Experience of the menopause transition in Irish women and how it impacts motivators, facilitators, and barriers to physical activity engagement. BMC Women’s Health. 2024. PMID: 39725981. DOI: 10.1186/s12905-024-03524-y.
  • Casey M, Dabkowski E, de Gracia MRL, et al. Socioecological factors influencing physical activity engagement for women across the menopausal transition: a systematic review. Menopause. 2024;31(5):433–446. PMID: 38595173. DOI: 10.1097/GME.0000000000002337.

Sono e qualidade de vida

  • Carmona NE, Solomon NL, Adams KE. Sleep disturbance and menopause. Current Opinion in Obstetrics & Gynecology. 2025. PMID: 39820156. DOI: 10.1097/GCO.0000000000001012.
  • Soares CN, Bajbouj M, Schoof N, et al. Impact of sleep disturbances on health-related quality of life in postmenopausal women: a systematic review. Menopause. 2026;33(1):118–128. PMID: 40924877. DOI: 10.1097/GME.0000000000002633.

Exercício e sintomas menopausais

  • Money A, MacKenzie A, Norman G, et al. The impact of physical activity and exercise interventions on symptoms for women experiencing menopause: overview of reviews. BMC Women’s Health. 2024;24:399. PMID: 39003439. DOI: 10.1186/s12905-024-03243-4.
  • Yue H, Yang Y, Xie F, et al. Effects of physical activity on depressive and anxiety symptoms of women in the menopausal transition and menopause: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity. 2025;22:13. DOI: 10.1186/s12966-025-01712-z.

Movimento cotidiano e sedentarismo

  • Evenson KR, Wen F, Di C, et al. Accelerometry-assessed physical activity and sedentary behavior patterns using single- and multi-component latent class analysis among postmenopausal women. Women’s Health. 2024;20:17455057241257361. PMID: 38805324. DOI: 10.1177/17455057241257361.
  • Riou ME, et al. Light physical activity is a better determinant of lower adiposity during the menopausal transition. Climacteric. 2013. PMID: 23909399. DOI: 10.3109/13697137.2013.810715.

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  • Elavsky S, et al. Concurrent and lagged relations between momentary affect and sedentary behavior in middle-aged women. Estudo com acelerometria sobre comportamento sedentário e afeto. PMID: 27326822.

Fontes Confiáveis Para Continuar Pesquisando

Bases e instituições

Brasil

Importante: essas instituições e bases são apresentadas como caminhos para aprofundamento da pesquisa. A inclusão nesta lista não significa que todas tenham sido utilizadas como fonte direta deste artigo. Os estudos e documentos efetivamente utilizados para sustentar o conteúdo estão identificados na seção Referências.

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